A dama de negro I

I – INTROSPECÇÃO

 

Habitas a minha mente,
Há tanto tempo te concebes aí dentro,
Estás em mim antes de ter noção de ti,
E desenhei-te as formas todo o tempo…

A contemplar-te tenho estado,
Percorrendo os caminhos mentais,
Mil léguas íntimas tenho desvendado.
Olho e enxergo…

Ali jaz.
Embebida num cálice negro,
No covil da minh’alma,
A dama de negro jaz.

Vulto obscurecido,
Incógnita, Invisível.
O ser que é mas não é,
Existe mas não sabe existir.

Sombra que vagueia e ninguém vê,
Rasteja nos cubículos internos,
Silenciosamente existindo,
Só eu a vejo

Então ali jaz,
Embebida num cálice negro,
A dama de negro
Vive dentro de mim.

Só eu me vejo,
Como uma dama de negro
Eu sou.

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