Vontade de nada

Nada.
O sem-uso que a alma sente.
Inútil desejo da inutilidade
Inutilmente qualifica o inútil
Ou exprime a fantasiosa realidade
Que é ser diferente?

Trémulo estar de não estar,
Vago olhar de não olhar.
(O que isto é?)
É exactamente nada.
O sonhar com uma existência
Que não existe.

Vida sem vida, mas que te chamo vida,
És vida que não pode morrer,
Porque és uma maneira própria de viver.
Comandas minh’alma, oh sonho, oh fantasia dolorida,
Oh grande nada.

Alma parada no nada,
Nada sedentário,
Do que é e não é, do ter e não ter,
Isto, que ela sente, é pousar, é sem fim esperar –
É sonhar!
É a vontade de nada.

 

Escrito em 2006

De: Metaforicamente e outros poemas

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