Todas as coisas a meu lado

Todas as coisas a meu lado
Passaram com a maré,
E ao fim da tarde jaz solitária
A escultura de pedra, corpo parado,
A única que ficou de pé,
Essa, que sou eu.

Se o tic tac do tempo passa,
Ou os uivos do vento entoam,
Não importa, aqui repouso.
Se é dor o coração disfarça,
E parada, os pensamentos voam,
No silêncio que quebrar não ouso.

Fim da passagem pelo mundo lá fora,
Quatro paredes me rodeiam agora,
Ritual meu de estar em mim,
Meu eu que me escuta,
Mundo meu – vida sem fim.

Neste aconchego de estar em mim,
Permanece a estátua de carne,
Pensamentos de meus pensamentos.

 

Escrito em 2007

De: Metaforicamente e outros poemas

Advertisements

Leave a Reply

Fill in your details below or click an icon to log in:

WordPress.com Logo

You are commenting using your WordPress.com account. Log Out / Change )

Twitter picture

You are commenting using your Twitter account. Log Out / Change )

Facebook photo

You are commenting using your Facebook account. Log Out / Change )

Google+ photo

You are commenting using your Google+ account. Log Out / Change )

Connecting to %s