Diário de Viagem ao Porto

DIA 1

De Lisboa para Coimbra, de Coimbra para o Porto

Partida de Lisboa às 10h30. Por estrada nacional atravessámos as terras do Ribatejo, entre gente de diversas vilas, estradas cruzadas e o som do radio a tocar. Parámos por Leiria, para relembrar a beleza da terra e porque as necessidades fisiológicas do tipo urinário assim o exigiram. Terra de belas paisagens que cedo tivemos de abandonar, porque não fazia parte do trilho traçado. Alcançámos os pés de Coimbra, no centro de Portugal, pela hora em que o sol estava elevado e fulminante, e o nosso estômago avisava-nos que precisava ser recheado. Almoçámos e apreciámos a vista para o rio Mondego, que risca a cidade com uma especial beleza. Passeámos pelo centro de Coimbra, pisando as calçadas tipicamente portuguesas e observando as igrejas. Tive tempo de comprar um postal da cidade, como é tradição minha, para fazer companhia à colecção de postais de viagens. Visitámos a universidade, cheia de antigos e novos alunos preparados para mais um ano de estudo. Por volta das 16h00 dirigimo-nos para o Porto. Imaginei a ponte Luíz I a aprumar-se diante dos meus olhos com toda a sua exuberância.

Calor e estrada, o desejo de aproximação ao destino escalava. Quando finalmente chegámos ao Porto, pelas 19h00, entrámos pela ponte D. Infante. Perdidos, voltámos para trás. Permanecemos algum tempo na fila gigante de carros, em Gaia, que lutavam pela entrada na ponte Arrábida. Depois de entrarmos no Porto, pela segunda vez, perdemo-nos, também pela segunda vez. Atravessámos as ruas antigas, na busca pelo hotel e, sem intenção, fomos ter à Ribeira. Finalmente vi a ponte Luíz I, em pleno pôr-do-sol, majestosa, com a noite quase a cair-lhe nos ombros. Enfim encontrámos o hotel, e despegados das malas, jantámos na Avenida dos Aliados.

 

DIA 2

Saborear o Porto

Despertámos pela manhã e, preparados com a máquina fotográfica, fomos a pé explorar o Centro Histórico do Porto pelas 11h00. A caminhada cultural incluiu: Rua de Santa Catarina, Bolhão, Majestic Café, Teatro Nacional S. João, Sé Catedral, Estação de São Bento, Avenida dos Aliados, Torre dos Clérigos, Livraria Lello, Igreja do Carmo e Igreja das Carmelitas. Caminhámos entre as ruas e os monumentos de tons sombrios, sempre com a Torre dos Clérigos vigiando-nos, como o olho gigante de Sauron numa cidade de paisagens escuras, ainda que iluminada pelo sol de Verão. Do miradouro da Sé Catedral desmontou-se a cidade cinzenta diante dos nossos olhos, mas é a vista da Torre, após a subida dos seus degraus minúsculos, brevemente iluminados por finíssimas janelas rectangulares, que domina a pintura panorâmica da cidade. A Avenida dos Aliados manifestou-se aprumada e vigorosa, com respeitosas construções, dignas de avenidas famosas. Com o cheiro a livros antigos e frescos, a livraria Lello, apesar de mais pequena relativamente às minhas expectativas, é de uma beleza incrível, exibindo uma escadaria arredondada e um design clássico e requintado.

Antes do almoço, passeámos nos Jardins do Palácio de Cristal, pintados com nuances verdes em torno do pavilhão Rosa Mota (o Palácio de Cristal foi demolido em 1951), e no regresso encontrei, por acaso, a Porto Editora. O cheiro a mar e o som das gaivotas confirmaram que estávamos na Ribeira, onde as construções antigas tocam o rio Douro. Almoçámos num restaurante estacionado numa pequena rua. Lembrei-me de Alfama. Depois do almoço fotografei toda a Ribeira, a paisagem que mais tem representado o Porto quando dele se fala. As casas velhas pareciam ter dificuldade em permanecer de pé, gastas pelo tempo, com azulejos comidos e roupas penduradas ao longo das janelas. Atravessámos a ponte Luíz I a pé até Vila Nova de Gaia, usufruindo da paisagem do Douro, sendo constantemente rasgado pelos barcos que nadam em divergentes sentidos. Regressámos de metro ao Porto, somente para experimentar o metro da cidade. Após a visita pelo Centro e pela Ribeira, a tradição cumpriu-se, e o postal de recordação foi comprado.

No final da tarde fomos à foz do rio Douro. Vimos o Forte S. Francisco Xavier e observámos o local onde o rio e o mar se confrontam. Em falta ficou o Parque da Cidade, com uma certa pena minha. Percorremos a marginal até à Ribeira, e voltámos a Vila Nova de Gaia, onde apreciámos o pôr-do-sol estender-se sobre o Porto. Jantámos na marginal de Gaia com vista para o rio. Para terminar a noite, a chuva começou a cair…

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